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Aos 10 anos, uma maior ConTextile faz “ponto da situação” do estado da arte

Com um programa desdobrado em 10 iniciativas, das obras de Ibrahim Mahama às conversas voltadas para o ensino, bienal analisa percurso e antecipa futuro risonho para o têxtil como expressão artística.

21 julho 2022 > 18:00

De dois em dois anos, a transição do verão para o outono na cidade reveste-se de cores, formas e significados vários, feitos dos tecidos que constituem o principal ganha-pão do território: mais de 60% das exportações vimaranenses em 2021 têm origem na indústria têxtil.

Com a Capital Europeia da Cultura (CEC), essas matérias no centro de milhares de rotinas de trabalho e de cadeias de produção fizeram-se arte, com a primeira edição da ConTextile. Desde então, a bienal teceu futuros sem parar até ao 10.º aniversário, assinalado por uma edição que decorre entre 03 de setembro e 30 de outubro de 2022.

Para a diretora artística do evento, a mostra deste ano suscita uma questão muito específica: “Que mudanças se podem operar através da arte têxtil?”; tanto é interrogação, como “reflexão crítica” no intervalo entre “ação e reação”. “Em termos de escala, esta edição está bastante maior, porque se centra no momento de celebração dos 10 anos da bienal e da CEC (…) Há a necessidade de se fazer um ponto da situação. Nesse espaço de pausa, de pensamento crítico, pode-se operar melhor”, reitera Cláudia Melo, da Ideias Emergentes, cooperativa portuense que organiza a ConTextile desde a primeira edição.

Num “território de cultura têxtil por excelência”, a curadora espera que os trabalhos artísticos em contexto voltem a escrever “mais um bocadinho de página na história da arte portuguesa”, quando o têxtil começa a ser visto como outros olhos a nível internacional.

“Durante muito tempo, as peças têxteis foram consideradas arte menor. Neste momento, há uma grande mudança nesse entendimento. Daqui a 10 anos, o têxtil estará mais do que assumido como processo dentro das manifestações artísticas. Não faz sentido falarmos de fronteiras na contemporaneidade”, vinca.

Cláudia Melo explica essa ascensão das “matérias e referências” têxteis nos circuitos artísticos por serem “eficazes e valiosas em várias materializações artísticas”; as novas fibras são exemplo disso, tal como outras matérias que facilitam a modelagem do artista para escultura. Até na arquitetura se começa a incorporar têxteis, observou.

Um dos tópicos entre a dezena que faz a próxima ConTextile é o das conversas – Textile Talks; em setembro e outubro, serão direcionadas para o ensino, até para antecipar o futuro. “Falar-se-á com as universidades de um conjunto alargado de práticas, desde as tecnologias às novas práticas da tecelagem. Queremos criar uma comunidade de partilha entre meios portugueses e internacionais”, esclarece.

 

 

A bienal não se limite a pôr “flores em cima do têxtil”. Questiona-o

Diretor da Ideias Emergentes, Joaquim Pinheiro vincou a intenção de uma bienal maior, a propósito dos 10 anos, e agradeceu à equipa que tem contribuído para que a ConTextile se realize de dois em dois anos, sem interrupções, destacando a exposição “10 artistas – o têxtil na arte portuguesa”, que destaca a história da expressão artística desses materiais em Portugal. No Centro Internacional das Artes José de Guimarães, estarão expostas obras de artistas desde a década de 60, como Lourdes Castro e Gisela Santi.

A propósito de um evento que terá ainda a habitual exposição internacional no Palácio Vila Flor, as exposições do país convidado, a Noruega, ou as residências artísticas, em parceria com a Bienal Internacional de Linho de Portneuf (Quebeque, Canadá) ou a plataforma Magic Carpets, o vereador para a Cultura, Paulo Lopes Silva, realçou que as duas instalações do artista convidado, o ganês Ibrahim Mahama, destinadas à muralha do centro histórico e ao Instituto de Design – dará “novos significados e leituras” aos espaços -, retratam a predisposição da ConTextile para se questionar e questionar a realidade em torno, marcada pela respetiva indústria

“O têxtil muitas vezes deixou uma marca negativa, de trabalho intenso, de ausência familiar, mas a bienal não se dedica apenas a fazer flores em cima do têxtil e a fazer dele uma coisa bonita, pronta a vender. Questiona as relações de trabalho, do comércio, das condições de trabalho”, vincou.

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