Edição Impressa

Newsletter

Assinar Entrar

CDU, Livre e Ricardo Costa também questionam Câmara sobre visita de Israel

Após o BE e a JS terem repudiado e exigido esclarecimentos sobre a receção ao embaixador israelita, também os outros partidos à esquerda e o vereador do PS no executivo municipal o fizeram.

A polémica em torno da visita do embaixador da Israel em Portugal, Oren Rozenblat, à Câmara Municipal de Guimarães, divulgada pela autarquia neste domingo como uma ocasião para “explorar novas possibilidades de colaboração em áreas estratégicas para o desenvolvimento do território”, continua bem viva.

Após o Bloco de Esquerda ter expressado repúdio pelo acontecimento, vincando que não se pode normalizar a relação com o estado israelita, face às mortes causadas em Gaza, e a Juventude Socialista ter assinalado que a visita deveria ser acompanhada da menção à violação dos direitos humanos em Gaza, também a CDU, o Livre e o vereador do PS na Câmara Municipal, Ricardo Costa, se pronunciaram sobre o caso.

Num comunicado enviado às redações, a CDU de Guimarães realçou que “a cooperação económica ou científica não pode servir para branquear a política de agressão de um governo estrangeiro, nem para instrumentalizar o município de Guimarães em atos de cumplicidade com a violação da dignidade humana”, atribuindo ao estado de Israel a responsabilidade “por uma política de ocupação, expansão de colonatos e pelo genocídio do povo palestiniano, em clara violação das resoluções da ONU e do direito internacional”.

A coligação que reúne comunistas e verdes perguntou ainda ao presidente da Câmara, Ricardo Araújo, que “justificações políticas e éticas fundamentam a decisão de acolher oficialmente o representante de um governo acusado de crimes contra a humanidade, correndo o risco de associar o nome de Guimarães ao branqueamento dessas ações”, de que forma “pretende garantir que os eventuais acordos ou parcerias económicos e científicos não violam os princípios do direito internacional e a solidariedade com os direitos do povo palestiniano”, e se está disponível para “apelar ao cessar-fogo imediato, ao fim do bloqueio à Faixa de Gaza e ao cumprimento das deliberações da ONU para a concretização do Estado da Palestina com as fronteiras de Junho de 1967 e capital em Jerusalém Leste, e o cumprimento do direito de retorno dos refugiados palestinianos, como determinam as resoluções da ONU e o direito internacional”.

 

Livre: “Normalização política e económica” incompatível com Estado português

Confrontado com a reunião que serviu, segundo a autarquia para “a criação de novas oportunidades de colaboração entre os dois territórios e abordou a inovação, a tecnologia, a proteção civil, a qualificação de recursos humanos e a atração de investimento”, até na senda da instalação da primeira unidade europeia da israelita TAG Medical Products Corporation no Avepark, o Núcleo do Livre de Braga manifestou repúdio e exigiu retificação da posição expressa pelo município de Guimarães.

“Que a Câmara Municipal de Guimarães reconheça publicamente que a comunicação do encontro projetou uma normalização política e económica incompatível com a posição assumida pelo Estado português, e que suspenda qualquer iniciativa de cooperação económica institucional com o Estado de Israel enquanto se mantiverem as violações do direito internacional identificadas pelas Nações Unidas”, lê-se na nota enviada às redações.

A representação distrital do Livre pede ainda que “o município divulgue que contactos, apoios públicos, compromissos e contrapartidas estão associados à instalação da TAGlobal Portugal no AvePark, e que matérias concretas foram discutidas com a embaixada de Israel, incluindo eventuais benefícios fiscais, cedências de solo ou apoios ao investimento”.

Por último, o partido de esquerda exige à Câmara Municipal de Guimarães que “a atuação externa da autarquia se alinhe com as sanções anunciadas por Portugal em 8 de setembro, quando se juntou a Canadá, Dinamarca, Finlândia, França, Islândia, Irlanda, Noruega, Polónia, Espanha, Suécia e Reino Unido para confirmar a intenção de “introduzir restrições nacionais e apoiar restrições europeias ao comércio de bens com os colonatos israelitas ilegais na Cisjordânia”, com “o direito internacional e com as obrigações que decorrem para todos os Estados e entidades públicas de não contribuir para a manutenção de uma situação ilegal”.

 

Ricardo Costa: “Diálogo institucional não pode significar silêncio” sobre Gaza

Numa carta aberta endereçada esta segunda-feira, o vereador do PS na Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Costa, defendeu que “a ciência não tem nacionalidade”, “a inovação não tem barreiras”, que “o investimento pode e deve ser bem-vindo”… e que “os direitos humanos também não têm fronteiras”, daí questionar o presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, sobre se assumiu alguma posição perante o embaixador israelita acerca das milhares de mortes estimadas em Gaza, após a ofensiva terrestre lançada no último trimestre de 2023, em resposta aos ataques do Hamas no sul de Israel, em 7 de outubro desse ano.

“O presidente da Câmara levantou estas questões durante a reunião? Manifestou alguma preocupação relativamente à situação humanitária em Gaza? Defendeu, em nome de Guimarães e dos vimaranenses, o respeito pelo direito internacional e pelos direitos humanos?”, questiona Ricardo Costa.

O vereador pergunta ainda qual “a posição do Município de Guimarães relativamente ao respeito pelos direitos humanos e pelo direito internacional nas relações institucionais que estabelece”, comparando a situação de Gaza com a invasão da Ucrânia pela Federação Russa, lançada em 24 de fevereiro de 2022.

“Reunir com o embaixador de Israel e discutir tecnologia, inteligência artificial, proteção civil, indústria ou investimento sem abordar a situação humanitária em Gaza e o respeito pelo direito internacional seria tão incompreensível como reunir institucionalmente com o embaixador da Federação Russa e falar de cooperação económica sem questionar a invasão da Ucrânia”, compara.

O socialista questiona ainda se Guimarães quer projetar-se no mundo como uma cidade que apenas “procura oportunidades” ou como uma cidade que “também defende princípios”. “Não defendemos que Guimarães se feche ao mundo. Defendemos precisamente o contrário. Guimarães deve relacionar-se com o mundo, mas deve fazê-lo sem abdicar dos seus valores”, lê-se.

Artigos relacionados

Vereadora incentiva vimaranenses a usar transporte público no fim de semana

Vereadora incentiva vimaranenses a usar transporte público no fim de semana

Setembro 17, 2026

Agradada com a utilização dos autocarros nas anteriores ocasiões em que foram gratuitos, Vânia Dias da Silva apela a essa utilização na Semana Europeia da Mobilidade. Gratuitidade regular em estudo.

Câmara triplica valor do rendimento familiar para apoio ao arrendamento

Câmara triplica valor do rendimento familiar para apoio ao arrendamento

Setembro 15, 2026

A alteração ao Regulamento de Atribuição do Subsídio Municipal ao Arrendamento permite famílias com rendimentos mensais até 2.100 euros brutos possam ter apoio ao arrendamento em habitações da CASFIG.