Depois da requalificação do Bairro da Emboladoura, em Gondar, ter sido inaugurada no passado dia 24 de junho, Fabian Figueiredo, deputado do Bloco de Esquerda, visitou o centro habitacional no último sábado.
Contudo, o deputado encontrou uma realidade muito diferente da apresentada pelo Governo e pela autarquia. “O que encontrei não cabe em nenhuma fotografia de ‘depois'”, afirmou, descrevendo “paredes que transpiram” e “manchas negras que nascem junto ao teto e se espalham em continentes pelo reboco, com aquele cheiro a fechado e a terra molhada que se cola à garganta.”
Para o bloquista, o que existe não é uma requalificação concluída, mas sim “o retrato de uma obra interrompida a meio: com pessoas lá dentro”, apontando para “marquises por acabar, remates deixados a meio” por onde a água entra quando chove e “cabos soltos em todo lado”.
Durante a deslocação, o deputado contactou com vários moradores e destacou a situação de duas mulheres residentes em terceiros andares sem elevador. Uma delas, com 80% de incapacidade e a recuperar de vários cancros, sendo obrigada a dormir longe do quarto à conta da humidade presente, tal como a casa de banho e a cozinha. Outro caso apontado foi o de uma moradora que “enterrou o marido há poucos dias”, um doente respiratório que passou os últimos tempos numa habitação onde “chovia lá dentro”.
Foi também alertado para a presença de placas de amianto, material classificado pela Organização Mundial de Saúde como cancerígeno, questionando se este foi devidamente identificado e removido durante a empreitada, tendo em conta os vários casos de doença oncológica relatados pelos vizinhos nos andares superiores.
Perante o cenário encontrado, Fabien Figueiredo questionou como é que o Estado assina a conclusão de uma obra que “mete água”, anunciando ter levado o caso ao Governo através de perguntas escritas aos Ministérios das Infraestruturas e da Saúde, exigindo respostas sobre o ponto de situação real, os apoios às famílias e a realização de estudos de saúde ambiental.

