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Impasse em futura creche em Souto gera discussão entre Ricardos

Ricardo Costa, do PS, acusa presidente da Câmara de “partidarite aguda” por impasse com centro social que almeja 40 vagas em creche. Ricardo Araújo diz que é preciso “aferir condições da instituição”.

Um dos quatro vereadores do Partido Socialista no executivo municipal, Ricardo Costa, acusou o presidente da Câmara Municipal de ser incapaz de “despir o fato” de presidente do PSD no concelho de Guimarães, a propósito do impasse com a reconversão da antiga Escola Básica de Souto São Salvador numa creche com 40 vagas.

Criado em 2008, o Centro Social de Souto São Salvador, Souto Santa Maria e Gondomar candidatou, em 2024, um projeto para 40 lugares em creche ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e obteve um financiamento de 160 mil euros para uma obra cujo valor total ascende aos 900 mil.

Ricardo Costa lembrou que o projeto tem um financiamento bancário aprovado de 400 mil euros, um “estudo de viabilidade económico-financeira que demonstra a sustentabilidade da instituição para fazer face ao serviço de dívida e responder a um investimento tão necessário no concelho de Guimarães e no país”, projeto de arquitetura e especialidades aprovados e apoios da Câmara Municipal de Guimarães para responder às necessidades da população com 40 lugares em creche e 10 postos de trabalho.

Presidida por Fernando Cardoso, anterior presidente da União de Freguesias de Souto São Salvador, Souto Santa Maria e Gondomar, eleito pelo PS para o mandato entre 2021 e 2025, a instituição precisa apenas que a Câmara altere o contrato de comodato para um contrato de direito de superfície para que a obra possa ser concluída, alega Ricardo Costa. O vereador socialista frisa, contudo, que os pedidos da instituição não têm tido resposta municipal.

“Desde dezembro do ano passado, a instituição pediu a primeira reunião. Foi recebida pela primeira vez em março deste ano. Foram transmitidas as necessidades da IPSS. Três meses depois, nenhuma resposta foi dada. A instituição volta a reunir-se com o vereador da ação social, Eduardo Leite. Seis meses, 1 de junho de 2026, há uma nova missiva ao presidente da Câmara, colocando as mesmas perguntas. Não há qualquer resposta quanto a um contexto que todos conhecem”, salientou.

Ricardo Costa considera que tal postura pode ditar a perda de fundos comunitários de 160 mil euros e hipotecar um financiamento bancário, acusando Ricardo Araújo de “partidarite”.

“O presidente da Câmara vive muito mal com a democracia. Perante perguntas concretas, objetivas e com uma cronologia que fiz questão de evidenciar na reunião de Câmara, o senhor presidente de Câmara nada diz. Ainda não despiu a capa da AD. Achamos que ele é o presidente de Câmara de todos os vimaranenses, mas ele ainda se vê como presidente da AD no concelho de Guimarães”, realçou, classificando a postura de Ricardo Araújo como exemplo de “partidarite aguda”.

 

Ricardo Araújo: “O PS usava muito estas instituições para se afirmar no território”

Perante as críticas do vereador do PS, o presidente de Câmara realçou que terá sempre “preocupação e cuidado” com o investimento municipal na área social, lembrando a criação de 224 novas vagas em creche, 60 das quais em berçário, que estão previstas para setembro, em quatro instituições do concelho.

“O que mais me importa é investir os recursos públicos por forma a que apresentem resultados o mais rapidamente possível. Foi o que fizemos recentemente, com a assinatura de vários protocolos, com diversas instituições do concelho que têm capacidade de, rapidamente, aumentarem a oferta de lugares em creche e em berçário”, disse, após a reunião de Câmara.

No entender do autarca, é preciso “avaliar caso a caso” o apoio a instituições sociais, lembrando que a intenção de se criarem lugares em creche e berçário não é suficiente para se facilitar. “Tem de ser com todo o rigor”, avisa.

Quanto ao Centro Social de Souto São Salvador, Souto Santa Maria e Gondomar, Ricardo Araújo vincou que é preciso “aferir a real capacidade da instituição realizar o investimento”, não bastando estar a alterar o comodato para o direito de superfície, e lembrou que a instituição é um exemplo do que o PS costumava fazer para difundir a sua influência pelo território vimaranense.

“O PS fazia muito isso. Percebo que o vereador Ricardo Costa esteja preocupado. Nem sei bem a quem preside a essa instituição. O PS usava muito estas instituições para se poder afirmar no território. Estamos é verdadeiramente preocupados em dar resposta à população. Temos de aferir as reais condições que estas instituições têm para realizar o investimento e dar essa resposta”, salientou.

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